10 julho 2007

O Ovo de Rá – 39ª parte
Loucos

Retomamos a caminhada, como dissera Bel-Vito rumo ao inferno, o que quer que isso fosse. Ìamos algo nervosos, mas ainda assim era preferível andar e precipitar os acontecimentos, do que ficarmos naquela modorna, parados, indecisos.
Bel-Vito desde o Pico das Águias raramente seguia à frente e com algum espanto meu, eram os Mestres que seguiam na frente, quase como crianças entusiasmadas, com a perspectiva de algo empolgante e novo. Sei que o Mestre Ratapone, perseguia desde à lomgo tempo a busca daquele ovo mítico, que se julgava conter o segredo da vida, da criação. Quem sabe, talvez mesmo da imortalidade! Mas como já havíamos falado uma vez, o ovo era apenas um pretexto, para termos um objectivo na vida, algo em que a gastar, que não fosse somente desperdício. Mas pensando bem, talvez a vida fosse desperdício…
Se compreendia o Mestre Ratapone, já o Mestre Ludovico era curioso, como se juntara com entusiasmo a esta demanda. Talvez fosse afinal a sua última aventura. Uma espécie de sentimento de que a ter que se despedir da vida, ao menos que fosse com entusiasmo, por alguma causa maior… Podia ser tão só para ter companhia, depois de anos mais ao menos isolado. Não sei. Talvez quando se fique velho, se descubra que afinal o que conta é mesmo viver e não andar por aqui...
Helmut veio ter comigo que ficara para trás. Godo e Cabelos-de-Fogo íam conversar junto das mulas. Bel-Vito seguia à frente deles um pouco afastado.
-- Maia…
-- Sim, Helmut?
-- Aquela pedra amarela que ali o nosso camarada apanhou, era o quê?
-- Era ouro.
Ele continuou a caminhar ao meu lado.
-- Explica por favor…
-- Ouro é um metal, quer dizer, aquela pedra derrete-se no fogo e depois de derretida podemos fazer anéis, colares, brincos… Percebes Helmut?
-- Percebo…
-- Mas? – incentivei eu.
-- Pois…Queria saber como é que acham issomais importante do que comer, por exemplo!
Dei uma gargalhada e Godo e Cabelos-de-Fogo olharam para trás e sorriram, mas nem sequer pararam.
-- Bem Helmut, digamos que com uma pequenina pedrinha daquelas, podes obter muita comida! -- Então como?
Suspirei, às vezes é complicado explicar as coisas:
-- Bom Helmut, um homem com muita comida, pode dar-ta em troca dessa pedrinha…
-- Quer dizer que um homem, prefere trocar a sua comida por um calhau?! – A ideia parecia escandalizar Helmut.
-- É isso mesmo Helmut… -- decidi abreviar.
Helmut caminhou mais um pouco e concluiu:
-- Estes humanos são loucos…
-- Somos… Somos mesmo, Helmut…