30 março 2007

by Steven Pinker

O Ovo de Rá - 38ª parte


O Caminho para o inferno


Helmut e Galimodo regressaram já bastante tarde da sua caçada, já o Sol se havia posto e fazia frio. Tínhamos montado as tendas e preparávamo-nos para ir cozinhar alguma coisa quando eles apareceram.
-- Desculpem lá o nosso atraso… -- disse Helmut depois de largar três lebres aos nossos pés. Além disso achei o ‘nosso’ significativo porque ele estava a referir-se a Galimodo. – Mas tivemos de descer ao vale… para encontrar alguma coisa… Estas são para vocês, nós já comemos.
Era óbvio! Helmut a coisa mais sagrada para ele eram sempre as refeições…Mas talvez estivesse a ser mauzinho. Helmut e Galimodo enroscaram-se perto da fogueira.
O Mestre perguntou-lhes:
-- Então e não viram gente?
-- Gente não… Mas notamos outra vez aquele cheiro… diferente.
-- Quer dizer que desta vez Galimodo também sentiu?
-- Sim, senti. – disse Galimodo, mas parecia demasiado cansado para acrescentar mais qualquer coisa.
-- Vêm cansados… -- incentivou Godo.
-- Sim, tivemos descer muito até encontrarmos um vale onde houvesse lebres… Mas depois foi fácil! Eu e Galimodo descobrimos uma maneira de caçar em colaboração, que funcionou às mil maravilhas…
Foi a vez de Cabelos de Fogo interpelar:
-- Trabalha-se sempre melhor em equipa!
-- Pois… -- fungou Helmut. E Galimodo aproveitou para saltar para o colo de Cabelos de Fogo.
Mestre Ludovico e Bel-Vito amanhavam as lebres, e Mestre Ratapone ía dando uma ajuda pondo a panela numa trempe e cuidando dos temperos. Só o cheiro da água com as ervas e o alho, já dava uma fome!
-- Fizemos assim: O Galimodo rastejava pelas tocas e com a sua cara feia assustava as pobres lebres, que desejosas de se verem livres daquele terror com olhos em fenda precipitavam-se para fora das tocas… E aqui o vosso Helmut, com anos de experiência de caça, não lhes perdoava!
-- Caro Helmut, o meu caro amigo apenas as caçou porque estava de boca aberta à saída das tocas e bastava fechar a boca… As que perdeu, foi sempre porque queria gabar-se das suas capacidades ou insultar quem estava a trabalhar! – discursou o Galimodo.
Todos demos uma valente gargalhada.
-- Acho que Galimodo aprendeu muito contigo Helmut… -- disse Cabelos de Fogo, fazendo uma festa no pelo de Galimodo que se pôs a ronronar.
-- Claro! – disse Helmut pondo-se de pé e já se preparava para dizer mais alguma coisa, quando foi interrompido por Cabelos de Fogo.
-- Estão os dois a ficarem sarcásticos.
Helmut resmungou baixo, mas voltando a enroscar-se perto do fogo comentou:
-- E anda pra aqui um gajo a esgalgar-se pra alimentar estes mal-agradecidos…
Mestre Ratapone sem deixar de preparar a panela voltou à carga:
-- Mas esse cheiro… fica no caminho que estamos a tomar ou no vale?
Foi Galimodo que respondeu:
-- No vale é mais intenso… Talvez se deixarmos o caminho e descermos ao vale possamos encontrar a quem pertence. Eu e Helmut não nos aventuramos muito, só queríamos trazer-vos as lebres… No vale há árvores, ratos e lebres… Por este caminho… Parece muito deserto e nem faço ideia para que fizeram aqui um caminho!
Helmut abriu um olho:
-- Se fizeram um caminho, deve ser pra caminhar, não é, ó bigodes?
-- Num te importes com a malcriadez dele, meu querido – disse Cabelos de Fogo enquanto fazia festas no gato – mas ele fica sempre assim quando não está a dormir ou a encher o estômago.
Helmut resmordeu entre dentes:
-- Mulheres…
-- Talvez devêssemos ir então pelo Vale… -- a modos que sugeriu Godo.
Aquilo de algum modo arrepiou-me. Deixaríamos a segurança de um caminho, mesmo que desconhecido e entraríamos à aventura num vale. Não me parecia uma boa medida.
Mas Mestre Ratapone acalmou os meus receios:
-- Um caminho vai sempre dar a um lugar com gente…
E Bel-Vito acrescentou:
-- Ou ao inferno…

13 comentários:

Sem Rosto disse...

Seguindo atentamente... :o))
Até já :o)

tb disse...

e foi uma surpresa agradável quando vim à procura de mais caminho e o encontrei! :)
jinho

XannaX disse...

Um caminho vai sempre dar a um lugar, o importante é continuar a caminhar.
beijinhos

Ana S. disse...

Olá!
Só agora descobri o teu blog.
Depois de uma caça, seguir em viagem para um caminho desconhecido é uma nova aventura.
E que perigos se escondem?
Beijos

XannaX disse...

atão??????

tb disse...

vim saber do caminho, mas parece que a pausa se mantém ainda.
deixo beijo meu

Å®t_Øf_£övë disse...

Mitro,
Aventura, camaradagem, e espírito de equipa, porporcionam sempre um bom ambiente, que inevitavelmente tem que acabar em boas gargalhadas.
Abraço.

maresia disse...

-- Se fizeram um caminho, deve ser pra caminhar, não é, ó bigodes? achas mesmo? as coisas só são feitas para serem o que são? eu faço caminhos só porque gosto de estar sentada nos cruzamentos. e quando caminho é mar adentro. podem ter feito um caminho para levar a sonhar, para imaginar como seria se estivesse ali para ser caminhado. ou não...

Entre linhas disse...

Existem caminhos por vezes dificeís de percorrer,enquanto existem outros muito simétricos e paralelos.
Bjs Zita

Um Momento... disse...

Podes passar na minha casinha ??
Tenho algo para ti:)
Procura la sim?
Beijo de noite serena (*)

beleza de mulher disse...

hahahhahaha é sempre bom atura um idiota nos faz ser mais inteligentes

mitro disse...

Até já...

Porcelain Doll disse...

Curioso... é sempre difícil esta tomada de decisão... a de deixar um caminho - que mesmo desconhecido, sempre é um caminho, já traçado - para seguirmos por um outro caminho, por onde ninguém que se conheça passou antes. E se é difícil essa escolha, ainda mais difícil é quando existem outras pessoas implicadas nessa opção... quando é comigo faço assim: sento-me e penso. Mas penso muito... tento fazer aquilo que a que se costuma chamar "ouvir o coração"... normalmente tento aliar o que me diz à razão... costuma dar bom resultado!! Mas confesso que há sempre um pézinho a escorregar pelos caminhos mais difíceis, mais compridos e, sobretudo, os menos percorridos pelos demais eheheh (sou do contra!!)

:-))