31 maio 2006


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O Ovo de Rá - 15ª parte


O meu pai conheceu a tua mãe


Quando Godo e o Mestre viram chegar Helmut em passo de corrida perceberam imediatamente que algo estivesse a correr mal. Mesmo muito mal.
Estavam já quase a chegar a casa de Mestre Ludovico. Apressaram-se na direcção de Helmut.
-- Mestre... – balbuciou Helmut com a língua de fora – Tendes de ir comigo... Estão prisioneiros na gruta... Serpente...
Dizia Helmut completamente ofegante. Godo partiu imediatamente, sem sequer dizer uma palavra.
-- Descansa um pouco Helmut... – sussurrou o Mestre Ratapone.
E depois dirigiu-se a Mestre Ludovico:
-- Caríssimo Mestre, lamento mas recebi agora uma notícia e outros deveres me chamam, mas gostaria de contar com a vossa hospitalidade no regresso próximo.
Mestre Ludovico mostrou um ar surpreso, mas depressa se refez:
Entretanto Galimodo aproximara-se de Helmut, e este estava demasiado ofegante para ter forças para lhe rosnar.
-- Senhor, temeis pela vida dos vosso amigos, não é? – perguntou Mestre Ludovico.
O Mestre Ratapone pensou rápido e decidiu usar a verdade:
-- Sim, deixamos amigos, que agora se encontram encurralados numa caverna... por uma serpenete gigante.
-- Muito interessante, mesmo muito interssante! E quem vos comunicou, aquele companheiro ali? – perguntou o Mestre Ludovico apontando para Helmut. Helmut olhou finalmente para o Mestre Ludovico e farejou-o de focinho ligeiramente erguido, apontando na sua direcção.
-- Sim. – respondeu o Mestre.
Galimodo falou:
-- Tenho a certeza Mestre Ludovico, que são estes o que aqueles bárbaros da soldadesca da planície procuram...
Isso espantou de tal modo Helmut que quando ele começou a falar, Helmut deu um salto.
-- Olha aqui o canídeo nunca ouviu um gato capaz de falar... E é assustadiço o bicho...
O Mestre Ludovico ficou parado em silêncio a pensar e depois num assomo repentista:
-- Vou consigo!
E seguiram os quatro em direcção à caverna.

Quando chegaram Helmut vinha bem atrás cansado, surpreso e talvez reflexivo.
Godo apareceu vindo de nenhures:
-- Eles estão bem... A cobra não entrou na caverna, pois têm uma fogueira na entrada, mas ela anda ali em volta. Não está agressiva, apenas quer fazer a digestão...
-- Podemos tirá-los de lá? – perguntou o Mestre Ratapone.
-- Se alguém espantar um pouco a serpente acho que conseguimos. – respondeu Godo.
Mestre Ludvico avançou até junto do dois:
-- Se me disserem onde ela está, eu afugento-a...
Olharam ambos para o Mestre Ludovico. Depois Godo tomou-o pela mão e aproximou-se da entrada da caverna e segredou:
-- Vê aquela moiteira ali próximo á entrada da caverna?
-- Vejo.
-- Ela está lá.
O Mestre Ludovico olhou mais atentamente e reparou num corpo maciço que parecia comfundir-se com a rocha.
-- Eu afasto-a estejam descansados.
Depois chamou por Galimodo.
-- Ouve meu companheiro fiel, preciso de um favor teu...
-- Sim? – respondeu Galimodo
-- Quero que vás passar em frente aquela serpente, passando-lhe pelo lombo com as garras de fora, podes fazer isso?
Galimodo ía para começar um longo discurso mas foi interrompido pelo Mestre Ludovico que disse apenas:
-- Obrigado!
O Mestre Ludovico tirou uma garrafinha pequena de um dos bolsos da sua capa (que provavelmente devia ter muitos, embora não fossem muito visíveis) e com uma rapidez surpreendente mal Galimodo correu por cima do enorme corpo da serpente e esta se mexeu num torpor saindo da moita, descarregou-lhe o conteudo do frasco na cauda. Devia ser um ácido qualquer que o animal revirou-se imediatamente, contorcendo-se com dores e usando a cauda como um chicote! O pó que levantou foi de tal ordem que tossiram e deixaram de se ver.
Godo, corajoso como sempre entrou de imediato na caverna e puxou-me a mim e Cabelos de Fogo para fora. Quando saí, vi ainda a bicha a revirar-se e tal deviam ser as dores que descuidou-se, aproximou-se demasiado da borda do flanco da montanha e acabou a rebolar por ali abaixo, indo estatelar-se com estrondo mais abaixo, numa explosão de carne de cobra.

Refeitos da aventura apresentamo-nos uns aos outros. Mas quando foi a vez de Galimodo, não pude deixar de exclamar:
-- Olha Helmut, ele fala como tu!
Galimodo pareceu quase ofendido, tanta foi a surpresa:
-- Mas o canídeo também fala?!
Helmut agora recuperado, aproximou-se e disse:
-- Sim bichano, o meu pai deve ter conhecido a tua mãe...

4 comentários:

XannaX disse...

LoL. eu vi logo k hoje tavas inspirado... "o meu pai deve ter conhecido a tua mãe" tá boa!:-)
K mais aventuras estás a preparar-nos? hum.... cabecinha pensadora...
bj

Mar disse...

bem, já tou c'us olhos em bico de tanto ler... tava mt atrasada na leitura... mt emocionante! Tb digo, para k mais aventuras nos reservas?
bj

tb disse...

Já tava aqui a engrendrar um almocinho lá em casa, como entrada carne de serpente aos quadradinhos, tipo fondue...ah ah ah ah
Mas afinal não.
Muito engraçado este encontro, sobretudo dos animais falantes.
Beijos

XannaX disse...

Lindo o Helmut!!